Aplicação Moderna: definição, métodos e governança

Filipe Barretto • August 12, 2024

O que é uma Aplicação Moderna?


À medida que mais empresas se transformam em empresas de tecnologia, a necessidade de criar produtos digitais superiores, e fazê-lo rapidamente, torna-se essencial. Em vez de projetar soluções e depois procurar problemas para resolver, devemos examinar a jornada do cliente do seu próprio ponto de vista e desenvolver novas funcionalidades que melhorem sua experiência.


Grandes inovações nascem por meio desse processo frequente de ouvir os clientes, identificar seus desafios – muitas vezes desconhecidos por eles – e melhorar continuamente. Segundo Andy Jassy, CEO da AWS, “A inovação requer duas coisas: a capacidade de realizar múltiplos experimentos e não ter que conviver com os efeitos colaterais dos experimentos fracassados.”

Com essa mentalidade, surge o que chamamos de Aplicações Modernas, que englobam uma combinação de tecnologias, arquiteturas, práticas de entrega de software e processos que capacitam as equipes a entregar mais rápido, com mais frequência e de forma mais consistente.


De acordo com uma pesquisa da Gartner, 67% dos executivos acreditam que precisam acelerar a inovação para permanecerem competitivos, e essa abordagem de desenvolvimento permite que eles alcancem esse importante objetivo. Neste artigo, selecionamos 8 principais temas dentro do desenvolvimento de aplicações modernas que você deve observar.


1. Cultura de Ownership


Um dos maiores desafios no desenvolvimento de aplicações contemporâneas não está na tecnologia, mas em outro lugar. Afinal, a inovação é impulsionada por pessoas. Portanto, tudo começa com a concessão de autonomia e responsabilidade às equipes.


Neste ponto, é imperativo mudar a perspectiva de projetos para produtos, e as equipes responsáveis pelo desenvolvimento de um produto também devem ser responsáveis por sua manutenção. Essa autonomia e responsabilidade é que promovem motivação, criatividade e um ambiente seguro para assumir riscos.


Quando a equipe de desenvolvimento é responsável por todo o ciclo de vida do produto, desde a coleta de feedback dos clientes e o planejamento do roadmap até o desenvolvimento e a operação da aplicação, o engajamento e a responsabilidade são ampliados.


2. Padrão de Arquitetura de Microsserviços


Gerenciar um monólito pode parecer mais simples no início. No entanto, à medida que uma aplicação cresce, torna-se um desafio. Ao dividir uma aplicação em microsserviços, você capacita as equipes a desenvolver e operar independentemente os componentes pelos quais são responsáveis.


Em um monólito, os desenvolvedores precisam ser cautelosos ao fazer mudanças para evitar interferir no código de outra equipe, como ao realizar uma atualização de biblioteca. Além disso, a implementação de uma nova funcionalidade significativa requer coordenação com todos para mesclar e implantar, mesmo para uma pequena mudança em uma única linha de código.


Em uma arquitetura de microsserviços, cada serviço tem um propósito específico e opera de forma independente, comunicando-se com os outros através de interfaces bem definidas. Considerando o crescimento da aplicação, isso também oferece uma vantagem significativa de escalabilidade. Em um monólito, se uma parte da aplicação experimentar um uso intenso, toda a aplicação precisa escalar. Com microsserviços, apenas aquele componente específico precisa escalar, resultando em economia de custos.


Aqui estão as principais distinções entre uma abordagem monolítica e uma arquitetura de microsserviços:


Aspect

Architecture


3. Gestão de dados desacoplada e por propósito


Com a transição para microsserviços, também se faz importante uma mudança no armazenamento de dados. Se tivermos múltiplos microsserviços, mas um único banco de dados, continuaremos enfrentando um ponto único de falha e gargalo para o sistema. No passado, lidávamos com volumes de dados na ordem de GBs e até TBs. Hoje, temos demanda por TBs e PBs, além do consumo em várias localidades.


Além disso, cada parte da aplicação tem requisitos específicos de dados e um formato mais adequado para o consumo. Um carrinho de compras pode exigir uma resposta rápida, utilizando um banco de dados chave-valor, enquanto o algoritmo de recomendação pode precisar de um banco de dados gráfico.


Nesse contexto, surgem os Data Lakes com propósito específico. Em aplicações modernas, utilizamos um tipo específico de banco de dados de acordo com as necessidades.


4. Containers e Serverless

Com a mudança nos padrões de arquitetura, novas tecnologias visam maximizar os benefícios. Como diferentes serviços têm diferentes dependências e até linguagens de programação, surgem novas formas de empacotamento de sistemas, com grandes exemplos como containers e serverless.


Com containers, as equipes de engenharia têm mais flexibilidade e portabilidade de aplicações. Essa abordagem tem sido o principal método para modernizar aplicações legadas. Nos últimos anos, a adoção do Kubernetes cresceu e se tornou quase um padrão para essa abordagem. Enquanto isso, com serverless, há maior simplicidade no desenvolvimento e operação de aplicações, pois os provedores de nuvem cuidam da maior parte da infraestrutura.


5. Desenvolvimento Ágil


Com arquiteturas orientadas a microsserviços e tecnologias como serverless e containers, as equipes de desenvolvimento podem trabalhar mais rápido, permitindo um maior número de implantações e, consequentemente, novas funcionalidades e melhorias para os clientes. No entanto, para aproveitar esse benefício, é necessário ter um processo eficiente e automatizado para a publicação de novas versões.


Processos manuais de validação de código, teste de novas versões e implantação estão entre as principais barreiras à velocidade de novos lançamentos. Foi nesse contexto que surgiram algumas práticas de DevOps, como Integração Contínua (CI) e Entrega Contínua (CD). Além da automação para validação de código da aplicação, surgem tecnologias de Infraestrutura como Código (IaC) para trazer os mesmos benefícios às mudanças na infraestrutura, reduzindo o risco de erros humanos.


De acordo com estudos da Puppet, empresas que implementam essas práticas têm uma taxa de erro 5 vezes menor, velocidade de commit-para-implantação 440 vezes mais rápida e frequência de implantação 46 vezes maior. Como resultado, as equipes passam 44% mais tempo criando novas funcionalidades e código, em vez de gerenciar processos e ferramentas.


6. Modelo Operacional


Até agora, discutimos tecnologias serverless para desenvolvimento e arquiteturas orientadas a microsserviços, mas essa abordagem também traz uma vantagem significativa quando se trata de operações. Ao usar serverless, o provedor de nuvem torna-se responsável por grande parte da disponibilidade, segurança, alocação de recursos e escalabilidade do serviço. Vale reforçar que, na nuvem, sempre temos o Modelo de Responsabilidade Compartilhada, e algumas atividades precisam ser realizadas pelas equipes de engenharia, mantendo o ganho operacional significativamente.


7. Governança e Gestão


Antes da tecnologia de nuvem, as empresas enfrentavam o dilema de priorizar a velocidade ou a segurança. Com novas tecnologias, é possível ter ambos. Para alcançá-los, o conceito de guardrails está sendo cada vez mais implementado. Isso envolve a criação de padrões que podem ser usados pelos desenvolvedores, como Infraestrutura como Código (IaC) para provisionar recursos seguindo configurações e arquitetura já validadas pelas equipes de infraestrutura e segurança, possibilitando um desenvolvimento rápido e garantindo conformidade com as práticas estabelecidas pela empresa.


8. Aceleração com IA


Finalmente, as aplicações mais modernas se beneficiam das tecnologias de IA para trazer maior velocidade no desenvolvimento e padronização de práticas. Com assistentes de IA para geração de código, é possível acelerar o desenvolvimento. Além disso, com linguagens de programação modernas e performáticas, como Rust, é possível entregar sistemas mais eficientes.


Conclusão


A transição para aplicações modernas significa uma mudança crucial no cenário digital, onde agilidade, inovação e foco no cliente se tornam fundamentais. Com a e-Core como seu parceiro de confiança, navegar por essa jornada transformadora torna-se não apenas viável, mas também imensamente gratificante. Nossa equipe de especialistas está aqui para impulsionar sua jornada.


Entre em contato conosco para elevar sua abordagem ao desenvolvimento de aplicações!



e-Core

Combinamos experiência global com tecnologias emergentes para ajudar empresas como a sua a criar produtos digitais inovadores, modernizar plataformas de tecnologia e melhorar a eficiência nas operações digitais.


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Durante o processo de procura de novas oportunidades de emprego é comum surgirem algumas dúvidas com relação a candidatura, processo, como se comportar e etc. Nesse texto você vai encontrar algumas dicas que podem te ajudar em diversas situações. Primeiro passo: A procura! Durante a pesquisa por vagas, que fazem sentido para cada um, é comum levarmos em consideração coisas como nome da empresa, nível da vaga, benefícios e se de fato temos a compatibilidade técnica e comportamental exigida. Porém, é de extrema importância analisar o quanto de afinidade a empresa e a oportunidade tem com você, pessoa candidata. Além de colocar na balança as exigências e as oportunidades, e fatores como a distância, horários e modelo de trabalho, lembre-se de prestar atenção à estrutura, à cultura e ao negócio da empresa. Uma boa forma de fazer isso é conferindo os feedbacks das pessoas que trabalham ou trabalharam na empresa, tanto nas redes sociais quanto no Glassdoor, por exemplo, para que você possa compreender no detalhe como é a cultura daquela empresa de acordo com os seus valores. Isso aumenta sua assertividade na hora de avaliar a Oferta de Emprego, bem como traz um prognóstico mais fiel de como será sua adaptação no novo desafio. Segundo passo: Participando do processo. O Processo começou, e agora? Nesta etapa é extremamente importante esclarecer as dúvidas e perguntar. Calma! O nervosismo é normal, mas lembre-se que é extremamente importante organizar as ideias e perguntar. Por exemplo, aqui na e-core temos algumas etapas onde você poderá tirar dúvidas direcionadas em cada fase: Na etapa de RH : nessa fase você consegue tirar dúvidas sobre benefícios, estrutura da empresa, iniciativas de saúde e bem estar, dentre outros pontos, principalmente relacionados à cultura no geral. Na etapa técnica : Nesta etapa você tem contato com pessoas da sua área, então as perguntas podem ser aprofundadas – como é o dia a dia de trabalho com seu futuro time? Como é o contato com o cliente? Quais tecnologias são utilizadas? Você gosta de trabalhar na empresa – e por quê? Na etapa de liderança: você consegue não só tirar dúvidas sobre o time, mas sobre desafios futuros, expectativas para o cargo e desenvolvimento profissional. Durante o processo seletivo, o ideal é aproveitar ao máximo e ter em mente que estamos nos avaliando mutuamente, e por isso tanto a empresa quanto você deve perguntar e esclarecer dúvidas sobre o que for necessário. Afinal é como o início de um relacionamento. Uma experiência positiva, durante um processo seletivo, está sempre ligada à transparência e feedback, independente do resultado. Tome alguns cuidados ao trazer seus exemplos vividos, lembre-se que o tempo de uma entrevista apesar de parecer longo, é muito curto, mas ele é tudo que temos para nos conhecer e ter um overview geral das suas experiências, e é onde nós do RH podemos entender se faz ou não sentido avançar com você para as próximas etapas. Por isso, busque organizar suas ideias para trazer suas experiências, evite ser prolixo (nós sempre pediremos mais informações quando necessário então não precisa se preocupar em contar tudo de uma vez, pois vamos focar nos pontos que são importantes para a oportunidade em questão), e o importante é focar em suas experiências, nos seus objetivos, metas e vulnerabilidades (afinal, todos temos!). Terceiro passo: Recebendo feedback do processo. Feedbacks nem sempre são fáceis, podem nos trazer um sentimento de medo antes mesmo de sabermos qual o assunto, mas respire, lembre-se que todo feedback nos traz um crescimento. Essa é uma etapa muito importante, pois estar com a mente aberta para feedbacks vai ajudar no seu desenvolvimento pessoal e profissional e vai deixar você, pessoa candidata, cada vez mais preparada. Todo feedback abre um espaço para pedir dicas de como se preparar, de como aprender mais, de como crescer! Pedir feedbacks não é problema, seu desenvolvimento é exclusivamente seu, por isso, esse comportamento é extremamente valorizado e vai te ajudar a criar redes de networking além de impulsionar seu desenvolvimento. Boa sorte na sua jornada! Bom, agora que já falamos sobre algumas dicas rápidas, lembre-se que você é o protagonista da sua carreira. Por isso, é importante analisar com cuidado e atenção os passos que você escolhe dar nesse trajeto. Busque conhecimento e não tenha medo de pedir feedbacks, assim, você estará cada vez mais perto de conquistar a oportunidade ideal e de crescer profissionalmente. Boa sorte na sua jornada!