Gestão de vulnerabilidades: a cibersegurança como pilar da operação corporativa

May 19, 2026

A gestão de vulnerabilidades sempre foi um componente essencial da segurança da informação (SI). No entanto, no cenário tecnológico atual, o modelo tradicional marcado pela fragmentação entre as equipes de segurança, infraestrutura e operações já não acompanha a velocidade das ameaças. Essa fragmentação cria gargalos, eleva custos operacionais e compromete a produtividade das equipes. Um sintoma dessa desconexão, por exemplo, é um tempo médio de reparo (MTTR) alto, além dos riscos crescentes de vazamentos e ataques bem-sucedidos.


O relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, indica que o custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões. Setores como Saúde, Finanças e Serviços lideram a lista dos mais impactados pela falta de cibersegurança. Nestas áreas, os custos médios variam entre R$ 8,51 milhões e R$ 11,43 milhões, evidenciando o impacto financeiro direto das falhas de proteção à continuidade de negócio.


O phishing representa 18% dos vetores iniciais de violações de dados no país, segundo a IBM. Somam-se a isso o comprometimento da cadeia de suprimentos, a exploração de vulnerabilidades, credenciais expostas, falhas humanas e ações maliciosas internas, fatores que reforçam a necessidade de uma abordagem integrada de gestão de riscos.


Outro agravante é a crescente complexidade dos ambientes digitais. A adoção de novas tecnologias, especialmente inteligência artificial (IA) sem governança adequada, amplia a superfície de exposição. Embora a automação traga ganhos relevantes, o uso descontrolado dessas ferramentas aumenta os riscos operacionais e regulatórios. O desafio das organizações está em equilibrar inovação e proteção.

Visibilidade total: a base para a gestão de vulnerabilidades eficiente

O principal obstáculo na gestão de vulnerabilidades é simples: muitas empresas ainda não sabem exatamente o que precisam proteger. De acordo com Leonardo Schumacher, Head de Cibersegurança da e-Core,  para gerir falhas é indispensável ter visibilidade total do ambiente e da camada de identidade. Segundo ele, conseguir enxergar e proteger toda a superfície de ataque é um dos temas mais complexos e urgentes para que as organizações trabalhem a cibersegurança.


“Muitas organizações desconhecem seus próprios ativos expostos, suas superfícies de ataque”, afirma Clayton Pereira Cybersecurity Principal da e-Core. Segundo o especialista, é fundamental identificar tudo o que pode ser visto externamente por um potencial invasor, como servidores, aplicações, domínios, APIs e endereços IPs públicos. Para ele, o primeiro passo é levantar essas informações para mapear uma superfície de ataque completa, sem deixar lacunas. A partir dessa visibilidade, a organização consegue estruturar uma estratégia de proteção baseada em dados concretos.


Um agravante da baixa visibilidade é o Shadow IT, esse termo refere-se a ativos ou aplicações, que a equipe de TI desconhece na rede. Segundo os especialistas, ele representa um dos principais riscos à segurança. Clayton explica que esses equipamentos esquecidos tornam-se portas de entrada para exploração por falta de gestão. Um exemplo comum ocorre quando hardwares antigos, sistemas legados ou aplicações são mantidos na rede sem supervisão ou correção de falhas.


O mesmo ocorre com o uso não monitorado de IA, conhecido como Shadow AI. Segundo o relatório da IBM, uma em cada cinco organizações globais reportou violações relacionadas a esse uso não autorizado. No Brasil, isso elevou o custo médio de uma violação em R$ 591.400, segundo o relatório, que apontou que esses incidentes comprometem significativamente informações de identificação pessoal e propriedade intelectual, superando a média global.


Para enfrentar esse cenário, ganha força o modelo Continuous Threat Exposure Management (CTEM). Segundo Clayton, antes de gerir, é preciso enxergar 100% da superfície de ataque, incluindo ativos ocultos, credenciais vazadas e riscos externos. A metodologia permite identificar e priorizar o que realmente deve ser protegido para reduzir a área exposta. Esse processo gera insights e indicadores de risco que transformam a cibersegurança em um pilar de governança.



Um dos principais ganhos do CTEM é substituir a lógica de volume pela lógica de exposição real. Em vez de tratar milhares de vulnerabilidades da mesma forma, o modelo permite priorizar aquelas que efetivamente representam risco ao negócio, considerando contexto, criticidade do ativo e potencial de exploração.

Automação e governança: da descoberta à remediação contínua

A visibilidade, sozinha, não resolve 100% do problema. Para que a gestão de vulnerabilidades funcione em escala, o inventário corporativo precisa ser confiável.


É nesse ponto que entra o Configuration Management Database (CMDB), repositório central que organiza todos os ativos de TI. Na prática, manter esse banco atualizado manualmente costuma gerar duplicidade, inconsistências e perda de produtividade. 


O framework de Gestão Contínua de Exposição, aplicado pela e-Core, combina tecnologia, integração e serviços especializados para transformar a gestão de vulnerabilidades em um processo contínuo. A partir da conexão entre plataformas como Rapid7 e Jira Service Management, a consultoria estrutura fluxos customizados de descoberta, priorização e remediação, adaptados ao contexto operacional, às políticas internas e aos objetivos de negócio de cada organização. Essa camada de inteligência aplicada converte o CMDB em um ecossistema dinâmico, capaz de automatizar desde a identificação de exposições até a validação das correções, reduzindo pontos cegos como o Shadow IT.


Segundo Clayton, a integração permite a realização de varreduras (scans) contínuas para descoberta de ativos e o uso de IA para eliminar a duplicação de ativos automaticamente. Esses dados limpos e atualizados alimentam o CMDB, gerando tickets automáticos vinculados ao ID único de cada dispositivo para garantir rastreabilidade total em todo o sistema de trabalho, reduzindo falhas operacionais e acelerando a resposta aos riscos identificados.


Um dos diferenciais do modelo está na validação pós-correção, ciclo fechado. Clayton afirma que o processo não considera uma vulnerabilidade resolvida apenas porque o chamado foi encerrado. Uma nova varredura valida a remediação; caso o risco permaneça, o ticket é reaberto e escalado automaticamente. Essa abordagem elimina um problema recorrente: o fechamento administrativo de chamados apenas para cumprimento de SLA, sem a correção efetiva da falha, garantindo que as correções estão sendo aplicadas.


Além disso, toda a operação gera logs de ponta a ponta, assegurando uma postura de conformidade auditável. Clayton ressalta que o modelo é aderente a frameworks como ISO 27001 e NIST CSF, permitindo identificar responsável, histórico de tratamento e evolução de cada ativo ao longo do ciclo de remediação. “O foco principal é reduzir custos com ferramentas redundantes e diminuir o trabalho manual de alimentar planilhas, permitindo que os times foquem em inovação e proteção do negócio”, afirma o especialista. 

Cibersegurança como base de governança operacional


A gestão moderna de vulnerabilidades deixou de ser uma atividade isolada da segurança e passou a integrar a governança operacional.


Ao consolidar automação, visibilidade e rastreabilidade, as empresas passam a identificar fragilidades antes que se transformem em incidentes. Mais do que reduzir riscos, essa abordagem melhora a eficiência operacional, reduz retrabalho e fortalece a capacidade de resposta.


Segundo Clayton, o maior ganho está na racionalização dos recursos: menos ferramentas redundantes, menos controles manuais e maior foco em inovação. Em vez de operar de forma reativa, as organizações passam a atuar com inteligência contínua sobre sua exposição digital.


Nesse contexto, combinar tecnologia especializada, automação e consultoria torna-se um diferencial estratégico. Organizações que estruturam esse processo conseguem reduzir sua superfície de ataque, elevar a maturidade operacional e transformar a cibersegurança em um componente central da resiliência do negócio.

 

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