VirusTotal no setor financeiro: inteligência coletiva como primeira linha de defesa
Bancos e fintechs brasileiros registraram quase 2 milhões de tentativas de fraude apenas no primeiro trimestre de 2025, com prejuízo estimado em R$ 15,7 bilhões. Em paralelo, campanhas ativas de malware utilizam PDFs falsos de notas fiscais com taxas de detecção próximas de zero pelos antivírus tradicionais. Nesse cenário, o VirusTotal se consolidou como uma das ferramentas mais acessíveis e eficazes de Cyber Threat Intelligence (CTI) aplicada ao dia a dia do setor BFSI.
~2 mi
tentativas de fraude no primeiro trimestre de 2025
R$ 15,7 bi
prejuízo estimado
~40%
crescimento nas tentativas de phishing financeiro entre 2023 e 2024
65%+
das empresas do setor ainda em estágios iniciais de maturidade
~2 mi
tentativas de fraude no primeiro trimestre de 2025
R$ 15,7 bi
prejuízo estimado
~40%
crescimento nas tentativas de phishing financeiro entre 2023 e 2024
65%+
das empresas do setor ainda em estágios iniciais de maturidade
O PROBLEMA
Ameaças invisíveis a antivírus convencionais
Golpes digitais raramente chegam com aviso prévio. Um PDF pode esconder um malware, um link pode redirecionar para uma página falsa de internet banking, e um software aparentemente legítimo pode operar como spyware silencioso. O dado mais preocupante é que os agentes de ameaças mais sofisticados testam seus próprios arquivos maliciosos antes do lançamento exatamente para garantir que passem despercebidos.
Essa prática recebe o nome técnico de evasion testing. Em 2025, pesquisadores identificaram um malware direcionado ao setor financeiro com técnicas antiforenses avançadas e baixíssima detecção pelos principais antivírus do mercado, evidência clara de que o arquivo já havia sido submetido a testes antes de ser distribuído. O crescimento próximo de 40% nas tentativas de phishing financeiro registrado entre 2023 e 2024 continuou acelerando nos anos seguintes, reforçando a urgência da adoção de camadas adicionais de verificação.
No contexto de cadeias de fornecimento, o risco se amplifica. O ataque ao Santander via plataforma Snowflake em maio de 2024 demonstrou que criminosos podem comprometer sistemas bancários robustos por meio de parceiros externos sem precisar invadir diretamente a instituição. Esse vetor de ameaça tornou a verificação de arquivos e links recebidos de terceiros uma prioridade operacional, não apenas uma boa prática.
RELEVÂNCIA REGULAMENTÓRIA
CTI deixou de ser opcional
Para instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, o tema ganhou peso regulatório concreto.
Resolução CMN n.º 5.274/2025
A Resolução CMN n.º 5.274/2025 atualizou o arcabouço de segurança cibernética do setor e passou a incluir a Cyber Threat Intelligence entre os controles mínimos exigidos.
Além disso, os dados de maturidade do setor reforçam a urgência da adoção de novas ferramentas: enquanto 94% das instituições BFSI têm prevenção de fraude e proteção de dados pessoais como prioridades e 80% dos bancos utilizam IA para identificação de fraudes e lavagem de dinheiro, mais de 65% das empresas do setor ainda estão em estágios iniciais de maturidade em segurança cibernética.
É exatamente nesse gap de maturidade onde ferramentas como o VirusTotal tornam-se valiosas como porta de entrada acessível para práticas mais robustas de CTI.
Nesse contexto, ele age como um componente de um ecossistema de CTI mais amplo. Pesquisadores e equipes de segurança utilizam a plataforma para identificar novas variantes de malware, mapear campanhas de ataque em curso e compartilhar indicadores de comprometimento entre organizações. Cada análise realizada alimenta uma base de inteligência coletiva que retroalimenta a proteção de outras instituições.
RELEVÂNCIA REGULAMENTÓRIA
CTI deixou de ser opcional
Para instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, o tema ganhou peso regulatório concreto.
Resolução CMN n.º 5.274/2025
A Resolução CMN n.º 5.274/2025 atualizou o arcabouço de segurança cibernética do setor e passou a incluir a Cyber Threat Intelligence entre os controles mínimos exigidos.
Além disso, os dados de maturidade do setor reforçam a urgência da adoção de novas ferramentas: enquanto 94% das instituições BFSI têm prevenção de fraude e proteção de dados pessoais como prioridades e 80% dos bancos utilizam IA para identificação de fraudes e lavagem de dinheiro, mais de 65% das empresas do setor ainda estão em estágios iniciais de maturidade em segurança cibernética.
É exatamente nesse gap de maturidade onde ferramentas como o VirusTotal tornam-se valiosas como porta de entrada acessível para práticas mais robustas de CTI.
Nesse contexto, ele age como um componente de um ecossistema de CTI mais amplo. Pesquisadores e equipes de segurança utilizam a plataforma para identificar novas variantes de malware, mapear campanhas de ataque em curso e compartilhar indicadores de comprometimento entre organizações. Cada análise realizada alimenta uma base de inteligência coletiva que retroalimenta a proteção de outras instituições.

O DIFERENCIAL DO VIRUSTOTAL
Inteligência de multidão aplicada à segurança
O VirusTotal também se destaca como um agregador de análise: ao receber um arquivo ou URL, a plataforma o submete simultaneamente a dezenas de motores antivírus independentes e retorna, em segundos, um painel consolidado de resultados. A lógica é simples e poderosa: quanto mais mecanismos sinalizam um item como suspeito, maior a probabilidade real de risco.
Além do veredicto agregado, a plataforma disponibiliza informações contextuais relevantes para equipes de segurança:
Data da primeira detecção do arquivo ou domínio na plataforma
Associação com campanhas de malware conhecidas e indicadores de comprometimento (IoCs)
Histórico de análises anteriores realizadas por outros usuários ou organizações
Hashes de arquivos e reputação de domínios para integração com fluxos de threat intelligence
Esse modelo transforma uma decisão individual — "confio ou não neste arquivo?" — em uma decisão apoiada por inteligência coletiva e histórico global de ameaças.
CASOS DE USO PRÁTICO
No ambiente financeiro
No ambiente corporativo do setor BFSI, o VirusTotal encontra aplicação direta em ao menos quatro cenários críticos:
01
Verificação de PDFs e documentos recebidos de fornecedores e parceiros externos antes de abertura em ambientes internos
02
Investigação de URLs suspeitas sinalizadas por filtros de e-mail ou reportadas por colaboradores
03
Análise de hashes de arquivos em processos de resposta a incidentes para correlação com ameaças conhecidas
04
Alimentação de plataformas de SIEM e SOAR com indicadores de comprometimento identificados na plataforma
Para equipes de segurança, o VirusTotal complementa — e não substitui — as camadas existentes de proteção, acelerando a triagem de alertas e enriquecendo o contexto de investigações em curso.
CASOS DE USO PRÁTICO
No ambiente financeiro
No ambiente corporativo do setor BFSI, o VirusTotal encontra aplicação direta em ao menos quatro cenários críticos:
01
Verificação de PDFs e documentos recebidos de fornecedores e parceiros externos antes de abertura em ambientes internos
02
Investigação de URLs suspeitas sinalizadas por filtros de e-mail ou reportadas por colaboradores
03
Análise de hashes de arquivos em processos de resposta a incidentes para correlação com ameaças conhecidas
04
Alimentação de plataformas de SIEM e SOAR com indicadores de comprometimento identificados na plataforma
Para equipes de segurança, o VirusTotal complementa — e não substitui — as camadas existentes de proteção, acelerando a triagem de alertas e enriquecendo o contexto de investigações em curso.
PROTEÇÃO COMPLETA
Como complementar e ter um cenário de proteção completo
É preciso ter atenção aos limites de cada ferramenta que precisam ser compreendidos para um uso adequado e seguro no contexto corporativo de cibersegurança, por exemplo:
Arquivos muito recentes podem ainda não ter sido analisados pela maioria dos mecanismos, gerando resultados inconclusivos
Um resultado “limpo” não garante ausência de risco, especialmente em ameaças de dia zero
A prática de evasion testing por agentes maliciosos significa que malwares ativos no setor financeiro frequentemente evoluem para contornar as detecções registradas na plataforma
Por essas razões, o VirusTotal deve ser tratado como primeira frente de verificação dentro de uma estratégia de segurança em camadas, e não como solução isolada. A CTI eficaz combina múltiplas fontes de inteligência, correlação de contexto e capacidade de resposta — o VirusTotal representa a camada mais acessível e imediata dessa cadeia.
PRÓXIMO ARTIGO DA SÉRIE
O VirusTotal é a porta de entrada para um ecossistema mais amplo de ferramentas de CTI. No próximo artigo da série será focado em outra ferramenta que torna esse cenário mais robusto: o URLScan.io — uma plataforma que permite investigar links suspeitos sem acessá-los diretamente, mapeando o comportamento de sites maliciosos em ambiente isolado.
A premissa continuará a mesma: transformar incerteza em informação e informação em proteção.

Fontes: FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos | Banco Central do Brasil | Kaspersky Financial Threats Report | Resolução CMN n.º 5.274/2025

